A Perseguição Pública aos Judeus Messiânicos em Israel Chegou ao Seu Momento Mais Crítico Desde Sua Fundação
Por Shmulik Eitan
Este relato é de Shmulik, irmão da esposa do pastor da congregação Yeruel, em Arad – Israel – feito na forma de carta aberta aos seus amigos e conhecidos. Shmulik é um guia turístico israelense e Arad é uma cidade no meio do deserto cuja população é de 33 mil almas, sendo que 2 mil delas são judeus ultra-ortodoxos.
O teor desta carta pode ser um pouco chocante para muitos devido à intensa perseguição aos judeus messiânicos na cidade sulista de Arad por parte de um grupo de judeus Haredi (ultra-ortodoxos), chamado Gur Hassidim. Como todos sabem, não sou cristão e não tenho nenhuma crença. Contudo, o que está se passando com os cristãos em Arad é absolutamente inacreditável, inaceitável e totalmente antidemocrático.
Em março de 2004 esses Haredi começaram a fazer demonstrações contra os judeus messiânicos nessa cidade. A princípio, tratava-se de eventos esporádicos, algumas vezes em frente à casa de minha irmã, cujo marido é o pastor local; outras vezes acontecia diante do local onde o pequeno grupo se reunia, etc. Com o passar do tempo essas demonstrações – que não eram controladas pela força policial – tornaram-se piores. Eles começaram a atacar os cristãos nas ruas sempre que os reconheciam, chegando até mesmo a ponto de gritar com uma mãe acompanhada de sua filhinha, com menos de cinco anos. Xingaram a mãe de “cristã imunda” e para a criança berraram: “sua mãe é uma prostituta! Sua mãe é uma prostituta!” Uma coisa é ler isto no conforto de nossas casas, mas outra, bem diferente, é passar por isto diariamente, como tem acontecido com o povo de Arad. Minha irmã e meu cunhado, Debbie e Yakim Figueras, com seus quatro filhos, também têm sofrido essas perseguições. Quase todos os dias alguém aparece diante da casa deles, bate nas janelas e grita obscenidades do tipo: “Jesus, filho da...”, “nazistas”, “cristãos imundos”, etc. E toda semana, no mesmo dia, há algum tipo de demonstração em frente à casa deles, com os Gur Hassidim carregando cartazes contra os cristãos e gritando palavrões diante dos olhares dos policiais que, muitas vezes, acompanham os manifestantes em suas risadas. É algo totalmente aterrador, para se dizer o mínimo. Mas, a cada ataque sofrido por esse povo, sem que a polícia faça alguma coisa, eles ficam mais ousados e confiantes, elevando a situação a um anteclímax.
Não muito tempo atrás, minha irmã foi buscar seu filho mais velho, que estava na aula de música no conservatório local, e levava seus três outros filhos no carro. Quando ela estacionou, dois desses Gur Hassidim estavam passando e a reconheceram. Um parou ao lado do carro e o outro foi embora. Ela, em sua inocência, achou que era uma boa oportunidade de se comunicar e, hesitantemente, começou a falar com o que havia ficado – imaginando que seria de alguma valia citar as escrituras para ele. Ela não percebia que o único Deus que essas pessoas servem é o deus do ódio e da ignorância. O outro homem voltou alguns minutos depois com mais quinze outros que gritavam, xingavam e insultavam, ela, as crianças (entre 2 e 4 anos) e o nome de Jesus, chamando-a de cristã imunda, que tinham que sair de Arad e parar de “raptar as crianças para batizá-las!” Meu lindo sobrinho Yair, colocou a cabeça para fora do carro e gritou com eles. Quando me contaram isto eu fiquei atônito.
Desnecessário dizer que foi algo traumático para todos eles. Momentos depois alguém abriu as portas do conservatório e deixou que entrassem por temer pela vida deles.
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