A Oração do Kadish (קדיש)

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    sofer
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    A Oração do Kadish (קדיש)

    A única maneira de sair da ambiguidade dolorosa da vida é ouvir uma mensagem do ‘mundo superior’ (העולם עליון), a ‘voz celestial’ (בת קול), que traz esperança aos nossos corações doloridos e nas dificuldades da vida: “A fé vem pelo ouvir a Palavra – ῥῆμα Χριστοῦ” (Rom. 10:17).

    E, no entanto, qual é o real significado desta mensagem?
    Há esperança (יש תקווה), há esperança, e todos os nossos temores um dia serão lançados para fora, engolidos pelo conforto inesgotável de D-us… “Ide por todo o mundo e faça alunos {da Torá (תַּלְמִידִים)} de todas as nações” (Mateus 28:19. “Por que es Tu, Messias, quem acende a minha lâmpada (Alma); o Senhor meu, Luz que transcende as minhas trevas.”

    A recitação do Kadish (קדיש) é central para a observância do luto. Deve-se compreender claramente que o ‘Kadish dos Enlutados’ (קדיש יתום) não é uma oração em nome do falecido. É a oração de santificação do nome de D-us.

    Na tradição judaica e bíblica nomes são considerados como mais do que apenas rótulos. Nomes refletem a natureza e identidade do que eles se referem. Assim, a oração que exalta o nome de D-us é tanto como glorificar ao próprio D-us.

    A frase inicial ‘Kadish dos Enlutados’ (קדיש יתום); “Exaltado e santificado seja o Seu grande Nome (יתגדל ויתקדש שמה רבא)” tem raízes no verso bíblico “Serei exaltado e Serei santificado, e Me darei a conhecer aos olhos de muitas nações (והתגדלתי והתקדשתי ונודעתי לעיני גוים רבים)” (Ezequiel 38:23).
    A próxima frase “No Universo, que Ele criou segundo a Sua vontade (בעלמא די ברא כרעותה)” é uma declaração de que somente o Criador sabe o propósito de tudo o que acontece neste mundo.

    A declaração de encerramento do ‘Kadish dos Enlutados’ (קדיש יתום) é que “Aquele que faz a ‘paz’ nas regiões celestes ou alturas (עושה שלום במרומיו)” (Jó 25:2), ou seja, Aquele que equilibra as poderosas forças celestiais conflitantes; luz e trevas, o bem e o mal, a vida e a morte e assim por diante, com certeza vai trazer a paz e plenitude para todos nós agora, entre os conflitos de nossas almas neste mundo e também no mundo vindouro.

    É extremamente difícil para alguém que está absolutamente devastado pela perda de seu ente querido, chegar à conclusão de que tudo o que D-us faz é para o bem. As pessoas nesta situação tendem a questionar a sua fé e questionar o significado da vida. É por isso que os rabinos da antiguidade acharam necessário para fortalecer nossa fé recitar o Kadish (uma oração de exaltação do Nome de D-us) como uma afirmação de nossa confiança e crença em D-us.

    Quando os enlutados recitam o Kadish eles mostram a sua aceitação do Decreto Divino, seguindo o exemplo de Jó, que disse: “Mesmo se Ele me matar, mas esperarei por Ele / הן יקטלני לוֹ איחל” (Jó 13:15). Apesar de sua dor que ainda proclamará a glória de D-us e santificará o Seu Nome.
    “Que Seu grande Nome seja abençoado para todo o sempre (יהא שמה רבא מברך לעלם ולעלמי עלמיא)”, que é uma paráfrase do versículo no Livro de Daniel 2:20.

    O ‘Kadish dos Enlutados’ (קדיש יתום) ajuda a estabelecer a ligação entre as gerações. Uma parte importante das orações judaicas está em recordar os “méritos dos nossos antepassados (זכות אבות)” Avraham, Yitzhak e Ya’akov. Mas esta ligação vai a ambas as direções, ela nos liga com nossos pais e avos e assim por diante.

    Ao mesmo tempo, o ‘Kadish dos Enlutados’ (קדיש יתום) serve como uma fonte de consolação para a nossa alma, nosso psique, derramamos nossa tristeza, nossas angustias e assim por diante para D-us, confiando que Ele é Bom. Tudo o que proporciona conforto, consolo a psique é garantia de que os dias de luto vão acabar e tempos mais felizes vão voltar. Há um inicio e há um fim.

    Orar o ‘Kadish dos Enlutados’ (קדיש יתום) nos coloca na condição de humildade e de ‘coração quebrantado’… Por que é, que os nossos sábios perguntaram: Por que D-us passou todas as grandes e nobres montanhas do mundo e escolheu dar Sua Torá no obscuro Monte do Sinai? Porque o Sopro de D-us (Espírito) recai sobre o espirito humilde, o humilde de coração, como ele diz: “Porque assim diz o que é alto e sublime, que habita na eternidade e cujo nome é Santo:” Eu habito no alto e santo lugar, e também com aquele que é de espírito contrito e humilde (דַּכָּא וּשְׁפַל-רוּחַ), e vivifico o espírito dos abatidos (רוּחַ שְׁפָלִים), e vivifico o coração triste (לֵב נִדְכָּאִים)” (Isaías 57:15)

    Humildade (ענוה) é, portanto, uma das maiores das Midot haLev (qualidades do coração), … “Apesar disso, esta certeza eu tenho: viverei até ver a bondade de Adonay na terra dos viventes. …” (Salmo 27:13).
    A fé é, portanto, uma ‘auto autenticação’: como confiamos no Bom, o bem será revelado. E se é a fé que nos faz de um todo, então nossa falta de fé nos faz mal (Mateus 9:29)… “Acredite que a vida vale a pena viver, e sua crença irá ajudar a criar o fato”.
    Quando nós confiamos nas promessas de D-us, afirmamos um bem, mesmo que a hora presente esteja envolta em trevas e angustia. A fé vê além “do visto” para o invisível. O “visto” não é, em última análise determinístico, e, consequentemente, a fé nos deixa conhecer algo além da hora presente. Afirmar que o amor de D-us é mais real, mais substantivo, e mais valioso do que qualquer coisa divulgada neste mundo que desaparece aos poucos.

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