bênção e maldição:

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    sofer
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    Parashá Re’ê (Deuteronômio 11:26-16:17)

    “Nem só de pão vive o ser humano (על הַלֶּחֶם לְבַדּוֹ יִחְיֶה הָאָדָם), mas de tudo o que sai da boca de Adonay ele viverá” (Deut. 8:3).

    Note; Comer é inerentemente um ato sacrificial e a nossa mesa um altar: Nós devemos “comer vida”, a fim de viver… Tudo o que ingerimos vem de algo vivo, sejam plantas ou animais e etc… Note também que os animais oferecidos no altar eram somente aquilo se come, ou seja, os animais limpos ou puros (ou seja, aquilo que é considerado comida, ser um animal puro ou limpo biblicamente falando não tem nada a ver com limpeza do animal).

    Nossa Torá para esta semana (ou seja, Parashat Re’ê) começa assim: “Veja (רְאֵה)! Eu dou (נתן) diante de vocês hoje bênção e maldição: a bênção (הַבְּרָכָה), se você obedecer as Mitzvot (mandamentos) de Hashem vosso D-us,…, e a maldição (הַקְּלָלָה), se você não obedecer as Mitzvot (mandamentos)…, e se afastarem do caminho que hoje lhes ordeno, para seguir deuses desconhecidos.” (Deuteronômio 11:26-28)

    Nós obtemos as bênçãos de D-us (isto é, Berachá: בְּרָכָה) quando obedecemos, e nossa decisão de obedecer manifesta o estado abençoado de caminhada diante da Presença Divina, interessante que o desnecessário ‘objeto direto hebraico’ ‘Et’ (את) antes da palavra “bênção” (את הברכה) alude às bênçãos do “Alef e Tav”, todo o alfabeto hebraico, a primeira e a ultima letra… (אָנכִי אָלֶף וְתָו רִאשׁוֹן וְאַחֲרוֹן ראשׁ וָסוֹף – Apocalipse 22:13), conforme descrito em Levítico 26:3-13.
    Como o Rei David disse: “Tenho colocado sempre (שִׁוִּיתִי) Adonay diante de mim… (שׂויתי יהוה לנגדי תמיד)” (Salmo 16:8). David sempre fazia uma escolha para “definir” Hashem (D-us) diante de seus olhos, pois ele entendia que abrir os olhos para a realidade derradeira era o único caminho real para as bênçãos.

    “Veja (רְאֵה)! Eu dou… (ראה אנכי נתן)”. Observe aqui que o verbo hebraico ‘Dar’ – Natên (נתֵן) está no presente: podemos entender que D-us está “sempre dando” a nós um novo começo, uma nova oportunidade para receber suas bênçãos, as misericórdias de D-us se renovam a cada dia e sua graça dura para sempre.

    Isto é; os nossos sábios ensinaram que o seu ‘”Eu” está sendo colocado diante de você hoje’, e que o seu “eu” pode se tornar uma bênção ou uma maldição (ברכה וקללה), dependendo da sua vontade de acreditar e confiar em D-us. Outros porem ensinaram, acrescentando que deveríamos ler este verso como “Veja que Eu estou dando (רְאֵה אָנכִי נתֵן) …” ou “Veja, Eu sou ‘O Doador’ diante de vós” (רְאֵה אָנכִי נתֵן לִפְנֵיכֶם)… D-us nos pede para abrir nossos olhos à luz da Sua Presença e recebermos as bênçãos de seu Bem-Vindo (Hebreus 4:16).

    Tem sido sabiamente dito que “a religião é para as pessoas com medo de ir para o inferno; e a fé é para aqueles que já estiveram lá…” A religião (isto é o legalismo) procura a defesa do ego e se apoia na idéia de méritos próprios sistemáticos para a recompensa pessoal; a fé e a espiritualidade procuram a “morte do ego” e se apoiam na idéia do amor relacional… O Estudo das Escrituras em função de uma questão de “religião” (legalismo) é em última análise, totalmente autodestrutivo, uma vez que a resposta não é o ‘legalismo religioso’, mas o crescimento espiritual: “Circuncidai vossos corações”, uma Mitzvá (mandamento) dita na própria Torá… [Deuteronômio 10:16]. Embora uma “circuncisão de coração” leve uma vida toda, nos “é o suficiente abrir o nosso coração mesmo com um pequeno corte, até mesmo na largura de uma cabeça de alfinete – de arrependimento” (Rebe Menachem Mendel de Kotzk – 1787–1859).

    Em; “Após (אַחֲרֵי) Adonay vosso D-us andareis” (Deuteronômio 13:4) Aqui os nossos sábios ensinavam que a palavra “Após” (ou seja, Acharei: אַחֲרֵי) implica um sentido de distância – e que quando nos sentimos distantes de D-us, devemos começar a tomar medidas para que possamos aprender a unirmos novamente… Ou seja, experimentando “distância” é uma ‘bênção dos Céus’ (ברכת השמיים), pois, uma vez que sem sentir nossa grande necessidade, como poderíamos refletir e buscar a D-us pela cura e pela vida?

    Na verdade, aqueles que se consideram como próximos de D-us podem realmente estarem muito longe Dele, enquanto aqueles que percebem o quão distante eles estão, na verdade, podem estar sempre se aproximando. Neste caso só podemos achegar-se a D-us (דְּבָקוּת) apenas se primeiro nós nos enxergarmos como “Acharei”, ou seja, distantes,… coisa que o legalismo religioso não entende… À medida que aprendemos a andar com D-us, estamos muitas vezes em tensão entre a reverência e amor, entre a obediência e a desobediência; sentindo-nos distantes porem pertos, vivemos o já, mas não ainda… e assim por diante.

    Também lemos: Aser te’aser: “Separem o dízimo que a semente do campo produzir… (עשׁר תעשׁר)” (Deuteronômio 14:22). Podemos tirar o principio de que isso é uma grande bênção – como filhos de D-us, devemos nos tornar um canal de bondade para com os outros,… ensinavam os nossos sábios; que dar Tzedaká (צְדָקָה, ou seja, a “caridade”) para os outros é como uma mãe que amamenta, enquanto ela amamenta seu filho, sua produção de leite é reabastecida e até mesmo aumenta; mas uma vez que ela desmame a criança, seu suprimento de leite seca. Da mesma forma, quando nós damos nossa substância – quando mais doamos, mais teremos, quanto menos doamos, menos teremos. O principio bíblico universal; “Midá keneged Midá ‘(מִדָּה כְּנֶגֶד מִדָּה.) – com à medida que você usa, será medido de volta para você”.

    Porque está escrito: “Vocês são os filhos de Adonay, o seu D-us (בנים אתם ליהוה). Não façam cortes no corpo nem rapem a frente da cabeça por causa dos mortos (luto), pois vocês são povo separado para Adonay, o seu D-us. Dentre todos os povos da face da terra, Adonay os escolheu para serem o seu tesouro pessoal (עַם סְגֻלָּה)” (Deuteronômio 14:1-2).

    A partir dessa passagem podemos inferir que não deveríamos nos colocar em luto excessivo pela morte de alguém, como aqueles que não conhecem a verdade de D-us muitas vezes fazem, uma vez que o nosso D-us, o Pai de Israel, é O Eterno (יהוה), e niquem está morto diante DEle, e mesmo que nossos pais terrenos morrerem, nós nunca estaremos órfãos, porque O Eterno (יהוה), O Ein Sof é o “D-us do sopro de vida de toda a criatura” (אֱלהֵי הָרוּחת לְכָל בָּשָׂר), sempre se atenta para nós: “Ele não vai deixar seu pé tropeçar; Aquele que te guarda não cochila” (Salmo 121:3).
    No entanto, se nos esquecermos de quem somos, se nós perdemos de vista o nosso lugar no coração do Aba (Pai) Celestial, estamos propensos a cair em um estado de luto excessivo e totalmente autodestrutivo por causa das perdas que experimentamos neste mundo.

    O que esta Mitzvá (mandamento) está querendo nos mostrar é que o desespero, adoração à morte, mutilação corporal, autopiedade, o niilismo, e etc., são expressões de medo e incredulidade, e este tipo de medo é a porta pra autodestruição.
    Por outro lado, trazer a nossa mente o lugar à mesa do Pai Celestial (אבינו שבשמים), como seus filhos, se aceitarmos que somos amados de D-us – o Seu ‘próprio tesouro’ “Am Segulá” – então vamos considerar as dificuldades que encontramos neste mundo como um teste de fé destinado para o nosso bem. (Deut. 8:3,16, Jer 29:11).

    Saiba que nem todo mundo é abençoado com correção de D-us. ‘Muitos são chamados, mas poucos escolhidos’. A pessoa Justa (na fé) – o Tzadik (צדיק) – está sempre sob o escrutinar de D-us, tanto a fim de aperfeiçoar seu caráter e de ocasionar um maior crescimento e amadurecimento. Este escrutínio é um sinal claro do amor de D-us, para perseverarmos, nós estamos sendo recebidos como seus filhos (Prov. 3:12). A pureza do coração é o desejo singular, e as funções dos testes na vida como um “fogo purificador”, que remove as impurezas da ambivalência dos nossos corações. Para os Tzadikim (justos), as várias provações da vida são como uma pergunta direta para eles: Você vai confiar em Mim agora – neste lugar ou nesta situação? com este problema? Nesta escuridão? e etc. Como confiamos, encontraremos mais luz, e que, por sua vez, justifica ainda mais a fidelidade e o amor de D-us.

    “Saibam, pois, em seu coração que, assim como uma pessoa disciplina o seu filho, da mesma forma Adonay, o seu D-us, os disciplina.” (Deuteronômio 8:5)

    Os problemas, os testes – Nisaion… na vida (que D-us permite), e a Sua correção (ou seja, Musar: מוּסָר) indicam que somos filhos de D-us e revela a preocupação Celestial para nosso caminhar nesta vida (Prov. 3:12).
    Em relação a isto uma vez um estudante perguntou ao seu Rabino; “se somos punidos pelos nossos erros (ou pecados) neste mundo”, e o Rabino respondeu; “somente se tivermos sorte…”.
    Pois se somos deixados sem disciplina ou correção, então somos filhos ilegítimos.

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