Entre Midibar (מדבר) e Davar (דבר) a força da palavra

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    sofer
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    Parashá BaMidibar (Números 1:1- 4:20)

    A contagem regressiva a partir de Pessach ao 50º dia culminante de Shavuot está quase completando… Perto de Shavuot (Pentecostes), que possamos usar todos os nossos recursos para se preparar para kabalat HaTorah – o recebimento do Torá – compartilhar nossos pontos fortes com os outros e inspirando força uns ao outros.
    Assim como a entrega da Torá fisicamente aconteceu em um momento especifico, mas, porem o recebimento dela acontece o tempo todo, “em todas as gerações,” o estudo da Torá nunca termina, sendo assim nunca estamos sem a necessidade de alguém para ensiná-la.

    Esta Parashá da semana (Números 1:1- 4:20) começa o Sefer Bamidbar (livro de Números) dizendo; “E Hashem falou (וידבר) a Moisés na Tenda do Encontro, no deserto (במדבר) do Sinai do Sinai … (números 1:1).”

    Um Midrash ensina que a Torá foi dada por três meios: água, fogo e deserto. Avraham passou pelo fogo em Uhr de Kasdim em sua firme recusa em negar a existência de um único e indivisível D-us. Quando saímos Mitzraim (Egito) passamos através das águas do Yam Suf (Mar Vermelho). Em seguida, viajamos através do deserdo (Midibar). O Ktav Sofer (Alemanha 1815–1872) explicava como cada um deles nos ensinam os fundamentos de nossa conexão com a Torá.

    A Torá é comparada à água. Assim como a água flui de um lugar alto para um baixo, assim também a Torá flui. A Torá foi dada no Monte Sinai, o menor das montanhas, para demonstrar este aspecto de humildade. A Torá é comparada ao fogo. A luz do fogo ilumina o caminho da vida de uma pessoa e lhe permite escolher a direção correta. O fogo da Torá ilumina este mundo, e nos dá a perspectiva de fazer a distinção entre as ilusões e a realidade.

    Entre Midibar (מדבר) e Davar (דבר) a força da palavra, note o como a palavra hebraica para ‘Palavra’ nos leva a uma verdadeira aplicabilidade… Davar (דבר) é a nossa ‘palavra falada’, ou o enunciado todo-poderoso que cria ou gera tudo, enquanto também significa ‘coisa’ (דבר), ‘algo substancial’ e assim por diante.
    Assim, todas as ‘coisas’ (דברים) parecem ser ou realmente são o resultado do que se tem ‘dito ou falado’ (דבר).

    No Tanach (bíblia hebraica) muitos termos, tais como “mentiras, sabedoria, falsidade, verdade” e muito mais, são precedidos por “d’var” – “Coisa de …”, que significa desta forma que uma maior dimensão e peso é concedido a este termo Davar (דבר) – ‘Palavra’.

    Podemos notar que Davar (דבר) é o que sai da boca de Elohim (D-us), e é, portanto, ‘A Palavra de Elohim’.
    Notamos também que Davar (דבר) é ‘Matéria’ ou ‘obras, tarefas, negócio’ (ou Devarim, no plural), como vemos, por exemplo, em Êxodo 5:13-19: “Cumprir suas obras, (seus Devarim) ou tarefas diárias” ou em juízes 18:7, onde é feita referência que; “… não tinham negócios (Devarim) com qualquer pessoa”.

    Termos Davar (דבר) como ‘obras, feitos’ em Jeremias 5:28; “Não há limites para as suas más obras (Devarim)…”, falando das obras dos ímpios que são também Devarim.

    A razão, motivos, costumes… O costume do rei em Esther 1:13, também se enquadram no âmbito da palavra Davar (דבר).

    A famosa frase “segundo a ordem de Malchitzedek” (Salmos 110:4) é, literalmente, “No meu divra (דברתי), Malchitzedek.” A forma “Divra” (e seu conteúdo) ilustra a profundidade e o alcance da palavra hebraica Davar (דבר) para ‘palavra’, que também pode ser processada como uma “ordem, padrão, tipo e ou protótipo.”.

    A partir deste ponto, vamos aventurar mais um campo para ‘palavra’ na sua raiz (דבר)’ “Dever”, que é ‘praga’.
    Embora esta transição abrupta (em uma direção negativa) possa parecer curiosa, não é inconsistente com muitas dessas disparidades encontradas na Bíblia. Se lembrarmos de que Davar (דבר) também significa “motivo” ilustra o princípio de que “a maldição sem causa não virá” (Provérbios 26:2).
    De fato, vez após ver que a praga ou maldiçoes é o resultado das nossas Devarim (palavras…), ou aquilo que não subjugamos ou destruímos.
    Notemos que; as palavras ‘Subjugar’, ou ‘destruir’ são daquelas que vem da raiz hebraica D’vr (דבר), com o seu infinitivo ‘lehadbir’. Em Salmos 18:47 encontramos, por exemplo: “D-us subjuga (וידבר) as pessoas debaixo de mim”. Esse verbo também significa “expulsar ou mandar embora”, como o envio do rebanho ao pasto, ou para o deserto. Assim, em Miqueias 2:12 os rebanhos são vistos no meio da sua “hidabar”, que é traduzido como “aprisco” ou “pasto”.

    Portanto, muitas vezes “perseguidos”, “e mandados embora”, ou “dirigidos” para “lugares áridos” ou “desertos”, todavia, assim como o deserto pode vir a ser um lugar de difícil vivencia, da mesma forma ele pode se tornar um lugar de refrigério espiritual para aqueles que estão “fugindo” para lá. Para este último o deserto torna-se bastante um lugar de aprendizagem, experimento, ou de ouvir a ‘Davar – Palavra’ de D-us.
    Hashem (D-us) tem muitas maneiras para soar a Sua Palavra no deserto solitário, e a lista dos que passaram algum tempo lá é muito longa. Outro lugar onde a Sua Palavra era ouvida é no ‘Santo dos Santos’,… No Templo, o lugar era chamado de D’vir (1º Reis 6) D’vir é o lugar mais interno dentro do Templo onde a comunicação Divina era ouvida, portanto, podemos compreender que pode ser encontrada no mais remoto e mais distante lugares, às vezes até mesmo em uma terra de banimento e punição, o que pode não só se tornar num oásis refrescante, mas pode até se transformar em um “Santo dos Santos pessoal”.

    “Levante a cabeça de toda a congregação dos filhos de Israel, pelas suas famílias, pelas casas de seus pais, conforme o número dos nomes de todo homem, e por seus crânios (לגלגלתם)” (tradução literal) Números 1:2.
    Nahmanides (Espanha – 1194-1270) enfatizava que o censo foi pessoal e individual… Ensinando-nos o valor e a peso na individualidade de todos e de cada alma que é uma peça única de criatividade Divina, e cada alma é um mundo em si mesmo. Na mesma linha, ensinava Isaque Arama (Espanha 1420–1494): “Eles não eram como objetos, mas cada um tinha uma importância própria como um rei ou um Sacerdote. Na verdade D-us mostrou amor especial para com eles e este é o significado de mencionar cada um deles pelo próprio nome e status; pois eram todos iguais e porem individuais em status”. O Principio do Reino de D-us da diversidade na unidade.

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