O início da Tradição Oral

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    sofer
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    משה קיבל תורה מסיניי, ומסרה ליהושוע,
     ויהושוע לזקנים, וזקנים לנביאים,
     ונביאים מסרוה לאנשי כנסת הגדולה
    Moisés recebeu a Torá no Sinai e a transmitiu a Josué; Josué aos Anciãos; os Anciãos aos profetas; e os Profetas transmitiram-na aos Homens da Grande Assembleia…
    (Talmud Pirkei Avot 1:1)
    O início da Tradição Oral

     

    Deuteronômio 1:1 – Estas são as palavras que Moshe falou a todos os Filhos de Israel, junto ao Yarden, no deserto, na planície de Yam Suf, entre Paran e Tofel e Laban e Chazerot e Di’Zahav.

     

    אלה הדברים – Elê HaDevarim, estas são a palavrasMoshe, o homem que iniciou a sua carreira não falando bem, começa um longo monólogo pra a segunda geração dos filhos de Israel.

    O livro começa com a palavra HaDevarim que significa ‘as palavras’ com as quais Moises começou seu discurso.

     

    Muitos comentaristas judeus salientam que estas são palavras de Moises e não de Hashem (D-us) como foram nos quatro últimos livros na Torá [Talmud Megilah 31b] onde frequentemente se lê; ‘E Adonay disse a Moises …’ ‘Fala para os filhos de Israel’, ou ‘fala com Aaron dizendo… Etc.’ e, portanto, é chamado de Mishnê Torá (“repetição da Torá”).

    Em Deuteronômio as coisas são faladas para Israel na 1º/2º pessoa considerando que, o resto da Torá é escrito na 3º pessoa. Isto nos mostra que os primeiros quatro livros devem ser visto como realidade objetiva, fora de Moshe e nós o povo. Deuteronômio é separado, ainda no seu início sem um conjuntivo ו vav (letra hebraica) que denota a conexão ao assunto anterior na Torá. [Ben David Moshe to Messiah p.218]

     

    Deve notar-se que sobre esta luz temos que fazer a pergunta; ‘como ele pode ser chamado de Torá se ele não veio diretamente da boca do Hashem (D-us) como anteriormente foi dado os outros 4 livros ?.

    Entendemos que não havia nenhum homem como Moises na casa de D-us, que falou com Hashem (D-us) face a face, e o qual entendeu o que foi dito. [ver números 12] Além disso, é entendido que ele veio para nós sob a forma de um credo através do Rambam (1135-1204 Espanha). Ele escreveu o Shelosh Asar Ikarim (13 princípios da fé judaica) que definem quais são as crenças fundamentais do judaísmo. O sétimo princípio diz:

     

    “Eu acredito com fé plena, que as profecias de Moshe Rabeinu, paz esteja com ele, são verdadeiras e que ele foi o principal (Av-pai) dos profetas que precederam ele e aqueles que vieram depois dele.”

     

    E a 8º diz:

     

    “Eu acredito com fé plena que a Torá inteira que temos agora é e foi dada por intermédio de Moshe (por D-us)”.

     

    Se Moises não recebeu as palavras do livro como ele tinha recebido antes, bom então, como foi recebido? Segundo Marashal e o Gaon de Vilna (1720-1797 Lituânia) (comentário – Chumash Artscroll Devarim) dizem que foi dado a Moises por D-us através do Ruach HaKodesh (Sopro Divino – Espírito Santo) assim como aos outros profetas que iriam profetizar.

    Este ensinamento mostra uma transição de metodologia de como Hashem (D-us) comunicaria no futuro e nos dá uma prova incontestável da “Torá Oral” que inclui todo o livro de Deuteronômio (Devarim).

    Em primeiro lugar, Hashem (D-us) não falou para outro profeta como falava com Moises, somente com Mashiach (Messias), que é o profeta como Moises [Deuteronômio 18:18] e poderia ser dito que apenas falou com Moshe dessa maneira por um tempo limitado.

     

    Como um exemplo, quando lemos as admoestações em Levitico 26:16 que são lidas nas sinagogas sem interrupção nas ‘cantilações’ porque elas foram ditas no plural por D-us, através de Moshe. Por outro lado, em Deuteronômio, as admoestações (Deuteronômio 28) são faladas em nome de D-us por Moises. [Talmud Megilah 31b] Outra diferença notável são as Eser Dibrot (as 10 palavras do Sinai) que usa a palavra שמור shamor (guarda) o Shabat e não זכו – zachor (lembrar) do Shabat.

    A palavra Shamor indica um ‘comando negativo’ contra quebrar as leis do Shabat. A palavra zachor indica um ‘comando positivo’. Shamor (guarda) é um mandamento para nos manter longe do pecado e, cabe a nós seguir, e zachor é positivo e contém a idéia de que o Shabat é algo que nos foi dado dos Céus e assim, ser recebido e apreciado porque a essência do Shabat vem Hashem (D-us).

     

    Isto é como se há duas partes da Torá; a primeira (Bereshit ‘Gênesis’ a – Bamidbar ‘Números’) foi dada dos Céus e fora da contribuição humana subjetiva e Deuteronômio dado com participação e interação humana. Isto é para mostrar que a humanidade tem uma parte no esquema do Divino da criação [Zohar Parshas Terumah 161] e temos levar em conta que é a verdade de Hashem (D-us) e não negligenciar nossa parte na redenção/restauração da criação.

     

    (Este é um conceito muito profundo que deve ser pensado completamente por todos os filhos da Aliança. Tikum Olam – Restauração de Todas as coisas)

     

    Observando este contraste, vemos que Moises também está preparando a nova geração para a entrada na Terra Prometida (Eretz Israel).

    Sabemos que a presença de D-us não os acompanhou em uma coluna de nuvem e ou de fogo na Terra Prometida, o Maná cessou, e os milagres do deserto não continuam. [Josué 5:12]

    Iria começar um novo paradigma para os Filhos de Israel, um envolvimento em Mitzvot (mandamentos) que foram dadas em Deuteronômio que foram clarificadas no livro. Além disso, podemos ver que muitos das mais de setenta Mitzvot (mandamentos) novas dadas relacionam-se à vida na Terra de Israel e a nossa responsabilidade para cumpri-las nela.

     

    É igual à transição que o Messias nos mostrou quando ele deu as chaves do Reino e da autoridade para o Shli’chim (apóstolos-emissários) pouco antes e depois da ressurreição. Em Mateus, logo após a ‘Transfiguração’, O Messias dá os Talmidim (discípulos) a autoridade para legislar as questões da Halachá e questões do Reino de D-us [Mateus 18:18-19] bem como Moises deu autoridade para os 70 anciãos para fazer o mesmo em Shemot (êxodo) e Bamidbar (números) antes de sua morte.[Êxodo 18 – Números 11:16]

     

    A comparação é ainda mais surpreendente quando vemos que foi a um indivíduo que foi dado a autoridade para conduzir. Moises dá autoridade para Yehoshua (Josué) números 27:18-23 e Deuteronômio 31:7. Em Números á Yehoshua (Josué) é dada a autoridade e em Deuteronômio, Moshe não dá autoridade, mas reitera, diante dos anciãos, que Yehoshua (Josué) é o chefe da nação e ele deve ser seguido. Isto aconteceu, como vemos em Deuteronômio 34:9.

    O Messias dá autoridade para Keifa (Pedro), um dos pilares da Kahal (congregação – igreja) dos crentes no Messias, [Gálatas 2:9] da mesma forma.

     

    A primeira vez que o Messias faz isso, ele diz a Keifa (Pedro) o seguinte:

     

    ‘Sobre esta pedra (eu O Messias) edificarei minha Kahal e os portões do Sheol (ou seja, da morte) não prevalecerão contra ela. Vou dar-lhe as chaves do Reino dos Céus e tudo o que você ligar na terra será ligado no céu, e tudo o que você soltar na terra deve ser solto nos Céus’. (Mateus 16:18-19)

     

    OBS: Os Portões do Sheol (infernus – hades ou lugar dos mortos), ou seja, tudo que nos deixa moribundo, morto fisicamente ou espiritualmente não pode nós conter, pois temos o poder de quebrar os seus portões que nos mantém preso… E isto acontecerá também fisicamente e literalmente na ressurreição dos mortos.

     

    Além disso, semelhante ao que Moshe fez antes que ele partisse, O Messias diz a Pedro para cuidar de seu rebanho e a amá-los (João 21), onde ele reitera que Pedro é o chefe e o pastor do rebanho. Isto é como o que Moshe fez também quando ele perguntou a Hashem (D-us) quem iria liderar e cuidar da Congregação e Hashem. (Números 27:16-17)

     

    A transição de uma autoridade que ouve de D-us diretamente à (s) quem ouve de D-us em sonhos, visões, ou o Urim e Tumin é clara. Ele também mostra uma transição da estrutura de poder e autoridade de um único profeta/rei/sacerdote, para um grupo de pessoas com um líder central para orientar as pessoas.

     

    Juntamente com este fato, podemos ver que a Tradição Oral (Ou Torá Oral) se torna um fator importante na vida das pessoas (da vida judaica).

    Deuteronômio é a versão escrita da chamada ‘lei Oral’ como nós a conhecemos. Sim, deuteronômio foi dado no Sinai, mas não foi dado para Moises anotar, por assim dizer. Ele, é semelhante como a Yehudah haNasi, [Sec. 2 D/C] o redator da Mishná, viu que o povo judeu estava em necessidade de esclarecimento da Torá do jeito que eles foram acostumados a aprender. Ambos tentaram explicar a Torá em um jeito que poderia explicar muitas das leis dadas na Torá e expôs os detalhes da Torá em um jeito que favorece a vida fora da normativa do povo.

    Israel iria entrar na terra e estaria vivendo fora das normativas de milagres na vida no Deserto sob as asas da Shechiná. (Presença Divina).

    Yehudah haNasi, seguindo os passos do Rabi Akiva (50 -135 D/C), procurou esclarecer a tradição Oral de uma forma que poderia ser aprendida mais fácil e pode ser usada para uma Halachá (“jurisprudência judaica”) definitiva.  Para uma vida fora de Eretz Israel, ou seja, na Galut (Exílio).

     

    Vemos também que as Escrituras da Besorá Tová (Boas Novas) foram redigidas antes do último dos Shli’chim (apóstolos) morrer e as ‘tradições orais autoritativas’ dadas pela boca do Messias necessitavam serem preservadas.

    Isso apresenta uma dificuldade porque eventualmente foi tomada pelos gentios (cristãos) que não sabem ou não aceitam a forma dos judeus que escrupulosamente memorizam e entendem o método de ensino e de apresentar corretamente a Torá (Tanto Escrita e Oral). Nós não precisamos nos preocupar com todas as coisas que vêm do céu (supostas revelações) e podemos aceitar o que nos foi dado na forma e linguagem que está hoje.

     

    Em conclusão, podemos observar que a Tradição (Torá) Oral (Judaica) é boa para nós, anotamos o que recebemos de nossos pais de uma forma que pudéssemos ensinar para as gerações futuras judaicas.

    Isso pode ser diferente em cada geração porque ela precisa ser acessível ao leitor em um idioma que possa ser aprendida facilmente. Podemos aprender isso com Moshe; que a Torá deve ser explicada claramente.

    Rashi (1014-1105 França) ensina em Deuteronômio 1:5 –
    Moisés se pôs a explicar esta Torá
    באר את התורה
    Be’er et haTorah
    E Moises explicando a Torá em todas as setenta línguas. [Midrash Tanchuma 2]. A Torá foi dada em todas as ‘setenta línguas’ (expressão idiomática pra todas as línguas do mundo); no entanto, considerando que ela só foi ouvida e, em seguida, escrita em Hebraico, para que os filhos de Israel pudessem compreendê-la. [Talmud -Shabat 88b].

    Quando falarmos e ensinarmos, ela deve ser clara e disponível para todos os nossos tipos de alunos para que eles aprendam e desenvolvam. Nós não devemos dizer algo complexo para que aqueles que ainda não compreendam as profundidades da Torá não entendam (Talmud – Pirkei Avot 2:4).

    Nós também devemos falar e escrever de forma que as pessoas possam pensar, questionar e aprender a Torá para que eles possam passar pra outros. Desta forma a luz de Hashem (D-us) e de Seu Mashiach (Messias) continuará em nós e possamos cumprir as palavras, ‘E vocês devem ensinar diligentemente a seus filhos. ’ Amen [Deuteronômio 6:7]

     
    עקביה בן מהללאל אומר, הסתכל בשלושה דברים,
    ואין אתה בא לידי עבירה–דע מאיין באת,
    ולאיין אתה הולך,
    ולפני מי אתה עתיד ליתן דין וחשבון
    Akavia ben Mahalalel ensinou: Reflita sobre três coisas e não se chegarás ao mal: Saiba de onde vieste, para onde vais, e perante quem haverás de prestar juízo e contas no futuro… (Talmud Pirkei Avot 3:1)

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