o verdadeiro significado de ‘Chesed’ (חסד) – Graça

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    sofer
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    Parashá Acharei mot & Kedoshim (Levítico 16:1-20:27)

    Como entender o verdadeiro significado de ‘Chesed’ (חסד) – Graça

    Na última parte da Parashá Kedoshim D-us na Torá enumera as várias relações de bestialidades sexuais e suas punições (Levítico 20:10-20). No final da lista D-us na Torá declara: “Se um homem tomar por mulher sua irmã, filha de seu pai ou de sua mãe, e se envolver sexualmente com ela, pratica um ato de ‘Chesed’ (חסד) “vergonhoso”. Serão cortados do povo…”. (Levítico 20:17)

    Há um problema gritante com este verso (ערותו חסד הוא); isto é, a descrição de uma relação incestuosa como sendo uma ‘Chesed’ (חסד) Graça ou benevolência.
    ‘Chesed’ (חסד) é normalmente traduzido como Graça ou bondade, benevolência…; o que a Chesed – Graça tem haver com uma relação incestuosa?
    A fim de responder a esta pergunta, é necessário alterar a nossa compreensão do que a Graça – ‘ Chesed ‘ realmente significa.

    Parece que Chesed (Graça) é mais adequadamente entendida como uma característica que é caracterizada por transbordamento de bondade e falta de fronteiras ou limites.
    Uma consequência importante disto é que a Chesed (Graça) leva uma pessoa a querer compartilhar abundantemente com os outros, quebrando os limites do egoísmo. No entanto, isso é apenas uma manifestação de Chesed (Graça), e como todos os outros traços de caráter, a Chesed (Graça, bondade, benevolência) tem aspectos negativos, assim como positivos.

    Uma manifestação negativa é que uma pessoa pode perder a percepção de um bom senso e de limites. Comportamento imoral envolve ignorar as instruções na Torá de que certas relações são inapropriadas. Consequentemente, a Torá descreve certa forma de imoralidade como Chesed (Graça).

    Dois personagens de destaque na Torá representam aspectos negativos do traço de Chesed (Graça); Yishmael e Lot. Os rabinos dizem-nos que Ismael estava profundamente envolvido em imoralidade (Rashi, Vayera, 21:9) e roubo (Rashi, Lech Lecha, 16:12) . Ambos emanavam de sua visão distorcida de Chesed (Graça) que rompia os limites aceitáveis.
    Uma atitude de ‘o que é meu é teu e o que é seu é meu’ leva uma pessoa a acreditar que ele tem o direito de infringir os limites, seja em relacionamentos pessoais ou em bens materiais.
    Lot cresceu na casa de Avraham e, portanto, tornou-se habituado a mostrar Chesed (Bondade) com os outros, como é demonstrado pela sua grande hospitalidade em Sodoma. No entanto, Ló desenvolveu claramente um senso distorcido de Chesed (Bondade, benevolência).

    Por exemplo, quando o povo de Sodoma ameaçou abusar seus hóspedes ele preferiu oferecer-lhes suas próprias filhas! Ele queria expressar Chesed (Bondade, amor) para com seus convidados à custa de suas próprias filhas. (Ramban, Vayera, 19:8)

    Por que Yishmael e Lot expressavam tão mal o caráter de Chesed?
    A resposta é que a sua Chesed (Bondade, amor, Graça) não era adquirida por meio de auto crescimento com base nas diretrizes da Torá, ao contrário, ela veio como resultado de seus caráteres e das suas educações mundanas.

    Até mesmo uma característica geral positiva como Chesed (Bondade, amor, Graça, benevolência) tem desdobramentos indesejáveis se não for aplicada da forma correta.
    Por exemplo, uma pessoa com uma inclinação natural para a Bondade pode fazer da bondade um pecado, um erro ou usá-la na quantidade errada, da maneira errada. Pode-se estar transbordando de Chesed (Bondade, amor, Graça) para com os outros, mas esquecer-se suficientemente de cuidar da própria família ou própria vida.

    Outro exemplo é que uma pessoa com uma expressão errada Chesed (Bondade, amor, Graça) pode ter uma dificuldade em impor limites apropriados para si em vários aspectos da vida; ele pode achar que é difícil ser pontual ou confiável, porque ele acha difícil definir limites para o seu tempo. Além disso, se uma pessoa não tem limites bem definidos, em seguida, ela pode achar que é difícil evitar a mentira, porque falar francamente com os outros exige a capacidade de aderir aos limites da verdade.

    O epítome do equilíbrio correto de Chesed (Bondade) é Abraão. Ele certamente tinha uma propensão natural para Chesed (Bondade), no entanto, ele não se limitou a permitir que suas inclinações naturais pudessem levá-lo às cegas em seus assuntos e relacionamentos, ao contrário, ele até mesmo anulava sua Chesed (Bondade) quando necessário.
    Em muitas ocasiões, ao longo no Torá, Avraham foi colocado em situações em que ele foi forçado a reduzir sua Chesed (Bondade). Por exemplo, quando lhe foi dito para enviar seu filho Ismael embora, para bem longe, e ainda mais quando a ele foi ordenado matar seu filho Yitzchak. Avraham passou esses testes (ניסיון) difíceis, mostrando, assim, que a sua Chesed (Bondade) não era dirigida por inclinações naturais, emoções, mas por temor de D-us (יראת שמים).

    Outra falha comum de uma pessoa naturalmente dotado com a expressão errada de Chesed (Bondade) é que ela espera que as pessoas ajudem igualmente da mesma maneira. Por conseguinte, ela não consegue hesitar em pedir que os outros façam favores significativos para ela, porque ela faria o mesmo por eles.

    No entanto, embora nos seja exigido que compartilhemos em grande abundância ao próximo, na Torá nos é exigido para que não confiemos ou esperemos na bondade dos outros. Isso é demonstrado na afirmação do rei Salomão (שלמה); “aquele que odeia ‘agrados’ (מתנת) viverá.” (Provérbios 15:27)

    Vimos que a ‘Chesed’ (חסד) – Graça ou Bondade não significa simplesmente algo bom, ao contrário, também representa a propensão para ultrapassar e distorcer os limites, e que isso pode ser utilizado para o bem ou o mal.
    Além disso, há uma diferença marcante entre uma pessoa que tem a característica de Chesed (Bondade) através do caráter ou hábito, ao contrário de alguém que desenvolve sua Chesed (Bondade) dentro da perspectiva instrutiva da Torá.

    …V’al tevi’einu lidei nisayon (… E não nos leve a um teste duro). Mateus 6:13

    É costume no período da contagem do Omer estudar o tratado talmúdico Pirkei Avot (Ética dos Pais)

    No quinto capítulo de Pirkei Avot temos um número de mishnaiot discutindo séries de dez:
    “Avraham Avinu foi testado com dez provações… Dez milagres foram realizados para os nossos antepassados no Egito… Com dez provocações nossos antepassados testaram D-us no deserto… Dez milagres eram realizados para os nossos antepassados no Templo”.

    Existe alguma ligação entre Nes נס – Milagre e Nisayon נסיון – teste ou provação?
    Vamos olhar primeiro para a palavra Nes (נס). No Tanach (Biblia), isso significa uma bandeira ou um mastro. Há alguns debates sobre se alguma vez também significou “milagre” biblicamente falando.

    No entanto, nós podemos ver o desenvolvimento da palavra Nes (נס) de Bandeira para Milagre através de uma compreensão da palavra como “Sinal” (אות). Estes não são apenas milagres para seu próprio bem, eles estão tentando mostrar algo, para atuar como um Sinal? Outra palavra com os dois significados em hebraico é Ot אות. Significa tanto “sinal” e como “milagre”, com debate entre os linguistas de que qual o sentido que veio primeiro.

    De acordo com alguns estudiosos, Nes (נס) está relacionado com a raiz Nsa – נשא – que significa “levantar”. Isso faz sentido para os ambos os significados, como bandeira e mastro.

    Quanto à Nisayon נסיון – esta deriva da raiz Nsh (נסה), que significa “testar, experimentar, provar, sondar” (em hebraico bíblico um julgamento era conhecido como um Massá – מסה). Alguns descrevem que a nossa maneira de testar o peso de um objeto é ao levantá-lo, e a força de uma pessoa é medida pela sua capacidade de levantá-lo, de suportá-lo. A partir disto desenvolveram o sentido de testes em geral.

    Um versículo interessante que pode nos ajudar a compreender melhor a questão. Ele define a raíz Nsh (נסה) como “para colocar um sinal, para pedir um teste ou prova” e nos remete a Isaías 7:11, onde D-us está pedindo Acaz para testá-lo:

    שׂאל לך אות מעם יהוה אלהיך העמק שׂאלה או הגבה למעלה .
    “Peça para você um sinal (Ot) de Adonay, teu D-us, em qualquer lugar do Sheol ou até nos Céus.”
    E Acaz responde (7:12): ויאמר אחז לא אשׂאל ולא אנסה את יהוה.
    “Não o pedirei nem porei à prova Adonay”.

    Então Acaz percebeu que pedir um sinal – um Nes – é um teste – um Nisayon. Mas talvez esse entendimento poderia se aplicar a Avraham e os bem como os Filhos de Israel, quando D-us testou-os, ele estava pedindo um sinal. Então, de certa forma, com a sua resposta – particularmente a de Avraham no Akeidá (sacrifício de Isaque) – eles estavam realizando Nissim (milagres)!

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