Parashá Bereshit (Gênesis 1:1-6:8)

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    sofer
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    Parashá Bereshit (Gênesis 1:1-6:8)
    O Livro de Genesis, ou seja; “Sefer Bereshit” (סֵפֶר בְּרֵאשִׁית), é verdadeiramente o “começo”, a “raiz”, e o “viveiro” de todas as Escrituras posteriores – incluindo a mensagem de Yeshua (Baruch Shemô) e dos escritos do chamado “Novo Testamento”.

    Em Gênesis, vemos a criação, evolução e ruína do ser humano por causa do pecado, mas também tomamos posse da promessa de libertação através da Semente vinda através da mulher; no ‘Livro do Êxodo’ (שְׁמוֹת) vemos a poderosa redenção de D-us e selada por meio do sangue do Cordeiro nos umbrais das portas; no ‘Livro de Levítico’ (וַיִּקְרָא) encontramos comunhão e novamente expiação de sangue no Mishkan (Tabernáculo); no ‘Livro dos Números’ (בַּמִדְבַּר) nós experimentamos as nuvens da Gloria de D-us através de lugares desertos, e no ‘Livro de Deuteronômio’ (הַדְּבָרִים) somos renovados pela fidelidade de D-us, antes de tomar posse da nossa herança.

    Em última análise, no Livro do Apocalipse no chamado “Novo Testamento”, atesta como um clímax de “capítulo final” da história iniciada em Gênesis, onde a Árvore da Vida (עֵץ הַחַיִּים) é restaurada para humanidade no meio do paraíso de D-us, e a presença do mal e da morte sendo erradicada para sempre…

    A primeira palavra pronunciada por D-us, “Haja luz” (Vaihi Ohr) (Gênesis 1:3), foi proferida em nome de todos os que desejam contemplar Sua Glória, como está escrito: “Levanta-te, ilumine, porque vem a tua luz” (Isaías 60:1). Quando Adão (אדם ראשון) abriu os olhos e consciência humana nasceu, ele compreendeu imediatamente que Hashem (D-us) criou todas as coisas, incluindo ‘eles próprios’… De acordo com um Midrash (comentário alegórico), as primeiras palavras deste Adão consciente (אדם ראשון) foram; Adonay malach olam Vaed (יהוה מֶלֶךְ עוֹלָם וָעֶד): “Adonay é O Rei por toda eternidade”. Hashem (D-us), então, disse: “Agora todos vão saber que Eu Sou Rei”, e se contentou muito. Este foi o momento “Tov Me’od” (טוֹב מְאד) da criação, quando D-us viu tudo o que tinha feito “e viu que era muito bom” (Genesis 1:31).
    Portanto, o nome para o ‘ser humano’ (ou seja, Adam: אָדָם) está relacionado com a palavra “muito” (ie, me’od: מְאד): o aniversário da humanidade é, portanto, o dia da coroação do Rei do Universo.

    Os nossos Sábios (חז”ל) ensinavam que Adam (Adão), com sua sabedoria, foi capaz de determinar a natureza essencial e o caráter de cada criatura animal (בהמה), e assim ele escolheu para cada um, nomes que refletissem ou de alguma forma expressam a sua essência fundamental.
    Em uma compreensão da psique judaica das Escrituras, não só a narrativa é importante, mas cada palavra específica carrega contexto e, na verdade, cada letra transmite nuances. Assim, é relevante que de todas as criações de D-us, a nome Adam (Ser Humano), Adão, significa a própria terra [adamá (אדמה)] a partir da qual D-us o fez.
    Em contrapartida, o reino animal é representado pela palavra hebraica Behemá (בהמה) – criatura animal.

    A psique judaica expressa a diferença entre Adam (אדם) e Behemá (בהמה). Adam (אדם) – o ser humano, ou a terra, ou o campo – está cheia de potencial. Hoje você vê um campo estéril uma terra devastada, amanhã você ver uma fazenda, uma vinha, ou um pomar um campo cheio de vida. Mas isso é o milagre da adamá (אדמה) – terra. Da mesma forma, uma pessoa pode estar acabada, devastada e ser improdutiva hoje, mas um turbilhão de criatividade e vida e coisas maravilhosas podem surgir amanhã.

    No entanto, uma criatura animal, ou o que a Torá se refere como um Behemá (בהמה) é tudo o que é e amanhã não será mais do que isso. Na verdade, a palavra hebraica Behemá (בהמה) compreende duas mais palavras curtas em hebraico: Be Má (בה מה) e isso significa ‘nele ou ‘nisto’’: ou seja, o que você vê na frente de você, é tudo o que é.

    Se os seres humanos pensam em si mesmos como não mais do que os animais sofisticados e evoluídos, eles virão a ser egoístas e nunca mudarão ou crescerão e etc. Eles vão convencer-se da virtude de estar atolados em estagnação. Eles vão chamar isto de ser coerente ou eles vão orgulhosamente proclamar: “Eu sou quem eu sou, aceite ou vá embora”.
    Um camelo ou uma vaca, ou um cachorro e etc serão hoje a mesma vaca, camelo e cachorro e etc o que foram ontem em sua essência, eles são o que são, porem certamente não devemos esperar que eu ou você sejamos o mesmo amanhã, como fomos ontem.
    Nós somos capazes de crescimento e de encontrar razão e significado para a mudança e o crescimento. Adam (אדם) é de fato o nome apropriado para o ser humano. Como mencionado, os nomes dados aos animais correspondia à sua essência fundamental, a natureza do núcleo e base de seus seres.
    Os nossos Sábios também ensinam, na verdade, a essência do ser humano é adamá (אדמה), pois foi criado com base desejos e impulsos também pecaminosos. Estamos com o nome Adam (אדם) especificamente para lembrar-nos de nossa essência do pó, das fragilidades e deficiências que são uma parte inerente de cada indivíduo. Devemos, portanto, permanecem constantemente em guarda para proteger contra o declínio espiritual. Como seres humanos que estão sempre suscetíveis à tentação e ao erro, devemos nos engajar em uma luta constante ao longo da vida contra a tendência humana básica para o pecado.

    Onde está escrito: “toda a Escritura é inspirada por D-us (θεόπνευστος) e para o ensino, para admoestar, para a correção, para a educação na justiça, para que a pessoa de D-us seja plena e perfeitamente habilitada para toda boa obra” (2º Timóteo 3:16-17), é evidente e óbvio que as ‘Escrituras’ referidas aqui estão as Escrituras judaicas (ou seja, a Torá, os Profetas e os Escritos), uma vez que são a fundação, o contexto, e a matriz global para qualquer outra coisa posterior …

    Em outras palavras, a Torá (e a bíblia hebraica) tem tanto uma lógica, uma linguística, e uma prioridade teológica sobre a compreensão das Escrituras do chamado ‘Novo Testamento’, e a falha de leitura no contexto das escrituras judaicas invariavelmente leva a interpretações erradas e doutrinas de erros de vários tipos. “Primeiro do judeu, e [então] do grego (gentio)” (Romanos 1:16) é um princípio não só de como a mensagem das ‘boas novas’ (isto é; a vitória do Ser Humano sobre a morte, e a aceitação dos gentios ao Único D-us ) transcenderia o Israel étnico ao ser oferecida a todas as nações (גויים), mas também sobre como devemos abordar o tema da hermenêutica bíblica …. D-us “soprou” (θεόπνευστος) sua palavra em ordem, e a mensagem em si deve ser entendida à luz dessa ordem (João 4:22).

    No século 18 um sábio da Torá, o Rabino Vilna Gaon ensinava em uma alusão que a palavra hebraica “Bereshit” (בְּרֵאשִׁית), que é a primeira palavra da Bíblia, pode ser usada alegoricamente como um acrônimo para a uma vida significativa.
    – A primeira letra, Beit (בּ), ligamos à “Bitachon” (בִּטָּחוֹן), uma palavra que significa completa *confiança na Providencia Divina (השגחה פרטית) para a nossa vida; a próxima letra, Resh (ר), ligamos à “Ratzon” (רָצוֹן), ou o *desejo de viver segundo a vontade Divina (por isto que nas orações judaicas usamos a palavra Yehi Ratzon – ‘que Seja da Tua vontade’, não devemos ser arrogantes, pois a palavra do Rei sempre será a ultima); a letra central Alef (א) ligamos à “Ahavá” (אַהֲבָה), que é o * amor por D-us e por nosso próximo (Dt.6:5; Lev 19:18); e a letra Shin (שׁ) é para “Shetiká” (שְׁתִיקָה), ou *manter o silêncio (e humildade), que é a virtude cardeal do autocontrole e da sabedoria (Salmo 34:13; Provérbios 13:3, etc.). A letra Yud (י) é para “Yirá” (יִרְאָה), ou *reverência pela autoridade de D-us e dignidade; e, finalmente, a letra Tav (ת) é para “Torá” (תּוֹרָה), cujo estudo traz transformação, sabedoria e santidade para a vida (Salmo 19:7; Salmo 119: 105; Provérbios 6:23; e etc).-

    Em uma alegoria no que se refere à contagem da criação do dia Um (ie, Gênesis 1:3-5), um Midrash (comentário rabínico) observa que a palavra luz – Ohr (אוֹר) aparece cinco vezes, uma para cada um dos cinco livros da Torá: “Haja luz” (יְהִי אוֹר) refere-se ao livro do Gênesis (Bereshit) e como D-us criou o universo com a luz; “E houve luz” (וַיְהִי אוֹר) refere-se ao livro do Êxodo (Shemôt), a luz da redenção da escuridão do exílio; “D-us viu que a luz era boa” (וַיַּרְא אֱלהִים אֶת הָאוֹר כִּי טוֹב) refere-se ao livro de Levítico (Vaikrá) e os sacrifícios no altar; “D-us separou a luz das trevas” (וַיַּבְדֵּל אֱלהִים בֵּין הָאוֹר וּבֵין הַחשֶׁךְ) refere-se ao Livro de Números (Bamidbar), e como Israel se livrou de seu passado de escravidão e como as nuvens de glória iluminaram o seu caminho; e, finalmente, “D-us chamou à luz dia” (וַיִּקְרָא אֱלהִים לָאוֹר יוֹם) refere-se ao livro de Deuteronômio (Devarim), a releitura da Torá (ie, Mishnê Ha’Torá: מִשְׁנֵה הַתּוֹרָה), que destila os mandamentos (Mitzvot) que iluminam o coração da fé, como é dito; [כי נר מצוה ותורה אור] “o mandamento (Mitzvá) é lâmpada e a Torá é luz” (Provérbios 6:23).

    No Talmud se ensina que: “Todo o mundo foi criado para o Messias” (Sanhedrin 98b). As Escrituras revelam que pela a ‘Palavra de D-us’ (דְּבַר הָאֱלהִים), D-us criou o universo e todos os mundos possíveis (בְּרֵאשִׁית הָיָה הַדָּבָר).

    Segundo o Zohar e a tradição cabalística judaica; quando a ‘Voz Divina’ – (ou seja, a Palavra de D-us) soou chamando a Luz cósmica à existência (Gênesis 1:3), D-us não estava criando a luz (אור) física do Sol ou das estrelas e etc, uma vez que os corpos celestes foram criados mais tarde no chamado 4º dia (Gênesis 1:14).
    Esta Luz sublime (אור שמימי) foi a primeira expressão da obra de D-us (O Ein Sof) fora de si mesmo, sua primeira revelação da existência contingente (isto é, existência que deve a sua origem, continuidade e finalidade através do poder transcendente e da vontade de D-us).

    A Luz Divina (אור שמימי) forma uma pintura, se quisermos ver assim, do retrato da criação de D-us, em termos tridimensionais, a Luz Divina formou-se em uma espécie de “container” (Segundo o Zohar uma forma de ‘Ser Humano’, o Adam HaKadmon – O Ancião de Dias, O Ser Primordial, a Saber o Messias) que se tornou a “casa” ou “lugar” da criação.

    Entre muitas outras coisas, isso significa que a realidade suprema está fundamentada na ‘Fonte da Luz Divina’, graça e Verdade (חסד ואמת) – independentemente de quão tenebroso e confuso este sistema de mundo presente possa aparecer.

    O Nome inefável de D-us YHVH (יהוה) alude a própria essência da existência (Ehie Asher Ehie): D-us é indivisível, Atemporal, Ein Sof (Sim Fim) Eterno.
    Ele não está em um ponto do Universo, mas Ele é O Lugar (HaMakom) onde todos os Universos possíveis estão.

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