Parashá Toldot (תוֹלדת) (Gênesis 25:19– 28:9)

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    sofer
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    Parashá Toldot (תוֹלדת) (Gênesis 25:19– 28:9)
    Haftará (Malaquias 1:1–2:7)

    Avraham Avinu (Abraão) é descrito como “velho, de idade bem avançada” (זָקֵן בָּא בַּיָּמִים), ele também é descrito como tendo sido abençoado Ba’kol (בַּכּל) – “em tudo” (Genesis 24:1). Ao contrário ‘dos ideais da cultura moderna’ obcecada pela juventude, na Torá fala-se a respeito do envelhecimento como um processo de construção, de edificação, de perfeição – não de decadência.

    Os nossos sábios ensinavam que os idosos “usam os dias de sua vida como uma peça de vestuário”, isto é, como uma “presença de dias” acumulada que atende à alma da pessoa. De fato, no Talmud mostra que a palavra Zaken (“ancião, idoso, velho”) pode ser lida como “Zê kaná” – ‘Este adquiriu’ (קנה זה).

    Maturidade e sabedoria são qualidades que devem ser honradas em nossa vida – não detestadas ou ignoradas. Como diz o provérbio, (עֲטֶרֶת תִּפְאֶרֶת שֵׂיבָה) Aseret tiferet sevah: “O cabelo grisalho é uma coroa de glória” (Pv 16:31).
    Que D-us abençoou Abraão Ba’kol (בַּכּל) – “em tudo” significa que Ele revelou a ‘Sua Presença’ (שר הפנים) a ele em todas as coisas da vida. Este é o significado de “Abraão entrou em dias.” Os dias de sua vida foram preenchidos com a Presença Divina (השכינה), e é por isso que ele morreu em ‘boa velhice, em idade bem avançada, e foi reunido aos seus antepassados’. (Genesis 25:8).

    Em nossa leitura publica da Torá desta semana, a Parashat Toldot (תוֹלדת), aprendemos que Isaque e Rebeca (יצחק ורבקה) estavam casados há vinte anos, mas ainda sem um herdeiro para continuar a linhagem da promessa … Finalmente suas preces foram atendidas e Rebeca concebeu, embora não sem complicações. Quando ela perguntou a Adonay sobre ela dar à luz, D-us lhe disse que ela estava esperando gêmeos que seriam cabeças de duas nações rivais, mas a criança mais nova se tornaria o herdeiro da Aliança e progenitor do povo escolhido (Am Segulá).
    Quando chegou o dia de Rebeca dar à luz, a primeira criança saiu “ruiva e coberta de pêlos”, por isso chamaram o seu nome ‘Esav – Esaú’ (ie, עֵשָׂו, “peludo”), também conhecido como Edom (vermelho); em seguida, saiu o seu irmão com a mão agarrando o calcanhar (Ekêv – עָקֵב) de Esaú, de modo que foi chamado de “Ya’akov” (יַעֲקב) da raiz hebraica (עָקַב) que significa “pegar pelo calcanhar; deslocar; suplantar”, Jacó é descrito como um ‘Ish Tam’ (Homem integro, sem defeitos).

    O aspecto central deste trecho da Torá são os gêmeos, Jacó (Ya’akov) e Esaú (Esav), filhos de Isaque e Rebeca (יצחק ורבקה), cujas prioridades eram diferentes.

    Lemos: “Certa vez, quando Jacó preparava um ensopado, Esaú chegou faminto, voltando do campo” (Gênesis 25:29). Em um Midrash (Comentário), no ‘Midrash Rabá’ há uma alegoria que ensina assim; Esav (Esaú) viu o ensopado e perguntou por que ele estava sendo preparado. Foi-lhe dito que era uma refeição tradicional dos enlutados, porque seu avô Avraham (Abraão) tinha acabado de morrer. Ao ouvir isso, Esaú rapidamente tomou isto como um insulto a si, que um tão justo como Abraão tinha morrido e exclamou: “Se esse é o caso, então não há recompensa para um de boas ações, e nenhum reparo da morte… (ressureição)”.
    Desta forma o rancor de Esaú sobre a tristeza e o sofrimento no mundo, o levou a rejeitar a realidade e tê-la como sendo intrinsecamente injusta, e por essa lógica que justificou seu estilo de vida cruel, sem ética e assim por diante…
    Isto vai de encontro com o que é ensinado pelo autor de hebreus “Porque amargura criou raízes na sua alma, e assim Esaú desprezou a sua primogenitura (aliança com D-us) e levando a desprezar o próprio significado de sua vida” (Hebreus 12:15-16).

    No Zohar ensina-se que existem duas forças dentro de cada pessoa – a do corpo e a da alma. Esaú representa o hedonismo, o materialismo. Jacó representa a consciência da alma, o desejo de se conectar com a “espiritualidade”. O que podemos ilustrar dentro da Cabala que dentro de nós há um Esaú e um Jacó constantemente brigando. Nosso Esaú interno, totalmente ligado ao mundo do 1%, prioriza os interesses momentâneos e meramente ligados ao mundo material. Esaú representa a pessoa que se torna escravo do hedonismo, que busca o prazer imediato (lembre-se da sopa de lentilha), sendo capaz de abrir mão de qualquer “coisa” para se realizar seus prazeres momentâneos.

    “Os servos de Isaque cavaram no vale e descobriram agua corrente.” (Gênesis 26:19). Onde os servos de Yitzchak (Isaque) cavam “um poço de água corrente” (מים חיים), confirma o que acabamos de ler sobre os poços dos Patriarcas. O nome do primeiro poço é “Esek” (עשׁק), “argumentação, disputa” (Gênesis 26:20).
    O nome do próximo foi ‘Sitná’ (שׁטנה), que significa “hostilidade; oposição” (Gênesis 26:21). É da mesma raiz hebraica (שטן), na qual nós temos a palavra ‘Satan’ (שָׂטָן) – Satanás, que significa “Opositor ou acusador”.
    A palavra intimamente ligada à ‘Sitná’ (שׁטנה) é ‘Sin’ah’ (שינאה) – “ódio”. Este verbo é usado na pergunta de Isaque em Gênesis 26:27: “Por que vieram, visto que me odeiam?”
    Uma palavra similar, tanto em som e significado aparece ao final de nossa Parashá. E “Esaú guardou ódio contra Jacó (וישׁטם עשׁו את יעקב)” (Gênesis 27:41).
    Ódio, rancor que é ‘Sotem’ (שׁטם). O nível progressivo de hostilidade é visto muito claramente por essa sequência de vocábulos: “Soten (שטן) – acusar; ‘Sotem’ (שׁטם) – guardar rancor, ‘Sonê’ (שָׂנֵא) – odiar”, demonstrando com precisão como cada uma dessas condições, se não for controlada, vai levar para a próxima.

    Quando um terceiro poço é aberto, a alguma distância dos povos locais, “Isaque mudou-se dali e cavou outro poço, e ninguém discutiu por causa dele. Deu-lhe o nome de Rechovot (רחבות), dizendo: “Agora Adonay nos abriu espaço e prosperaremos na terra”.” (Gênesis 26:22).

    A raiz hebraica de ‘Rechovot’ (רחב), que significa “amplo, largo, ou espaçoso”.
    Assim, ampliação e alargamento do espaço de subsistência traz alívio, assim como na alma, como vemos nos salmos 4:1, onde Davi clama: “… Dá-me alívio (הרחבת) [hirchav’ta] da minha angústia (בצר)…” – literalmente; “em um lugar de estreito me dá espaço” (בצר הרחבת לי), palavras com as quais, em sua situação atual, Isaque certamente teria concordado.

    Em nossa porção ficamos sabendo que o grande juramento de bênção que D-us deu a Abraão foi estendido (exclusivamente) para seu amado filho Isaque (Genesis 26:3-4; Rm. 9:7).
    Lembre-se que foi só após a Akeidá (o sacrifício de Isaac) que Adonay jurou o juramento (שְׁבוּעָה) que, através de Abraão todas as famílias da terra serão abençoadas: “Por mim mesmo jurei, diz Adonay, porque ter você feito isso e não me negaste o teu filho, o teu único filho (Ben Yachid), eu certamente te abençoarei… e em tua descendência todas as nações (גויי) da terra serão abençoadas, porque você obedeceu à minha voz (שׂמעת בקלי)” (Gen. 22:16-18).

    A frase, “por mim mesmo jurei” (בי נשׂבעתי) é o juramento mais solene D-us poderia fazer e deve ser considerada como um voto inviolável, unilateral (Heb. 6:13-18). Não é nada menos do que surpreendente perceber que a própria existência de Israel e do povo judeu – e, portanto, o advento do próprio Messias – deriva da vontade de Abraão de sacrificar seu “filho unigênito” – um ato de fé que constituiu a revelação “mais profunda da Torá”, posteriormente consagrado nas instruções escritas do sacrifício dadas no Sinai.

    É por isso que a ideia-chave da Torá gira em torno da idéia de sacrifício expiatório e, em particular, o contínuo sacrifício do cordeiro, ou seja, o ‘Korban Tamid’ (קָרְבַּן תָּמִיד), que era sacrificado nas manhãs e nas tardes continuamente.
    Na verdade a expiação é o tema central do livro central da Torá, ou seja, Levítico (Vaykrá), a principal das quais era a oferta continua (ou seja, ‘Korban Tamid’: קָרְבַּן תָּמִיד) um cordeiro sem um defeito sequer, juntamente com ‘pão sem fermento (Matzá) e vinho’. O qual Hashem (D-us) chamou isso de; “minha oferta, e o meu pão” (Num. 28:1-8).

    Em outras palavras, no centro da Torá vemos a ideia central da Torá, ‘o Sacrifício continuo de um cordeiro sem maculas’ o qual D-us o chama de meu ‘Sacrifício, (Com pão sem fermento (Matzá) e vinho)’ que constantemente prefigurava o ‘Cordeiro de D-us’ que seria oferecido até garantir a nossa redenção eterna.

    O livro de Miquéias conclui com o verso: ‘Mostrarás verdade a Jacó, e graça a Abraão, conforme prometeste sob juramento aos nossos antepassados, desde os dias antigos’.
    “Têten emet le’Ya’akov Chesed le’Avraham { תתן אמת ליעקב חסד לאברהם } Dê (para nós) a verdade (que prometeu) a Ya’akov (como recompensa para) e graça de Avraham [Miquéias 7:20].

    Cada um dos ‘Pais’, Abraão, Isaque e Jacó – (Avot) teve sua ‘Midá’ {determinado atributo, ou fruto do espirito} em que se destacaram e através do qual eles trouxeram o serviço a Hashem (D-us) para uma nova dimensão.

    A Chesed (graça) a Avraham Avinu (Abraão) e dele está bem atestada na Torá e que exaltam esta ‘Midá’ {determinado atributo, ou fruto do espirito} dele.
    A Emet {verdade, sinceridade} de Ya’akov (Jacó) já não é tão aparente. A honestidade rigorosa que Jacó exibiu enquanto cuidava dos rebanhos de Labão foi claramente superlativa. No entanto, nossa compreensão superficial dos acontecimentos de nossa porção de leitura parece deixar-nos com uma sensação de que Jacó não estava sendo honesto. Pois, como Abraão foi gracioso e benevolente lhe foi dado medida por medida, assim como Jacó oferecia sinceridade e verdade também lhe foi concedido medida por medida.

    D-us é a fonte de toda a existência. Isto está implícito no nome IHVH (יהוה) em si, que vem do hebraico verbo “ser” (Hayah), e, portanto, D-us é chamado HaHovê, ve’Hayah, ve’Yihiê – “o Aquele que É, e ERA, e que SERÁ”. D-us em primeiro lugar definido Seu Nome (atributo) essencial para Moisés como Ehyeh Asher Ehyeh (אֶהְיֶה אֲשֶׁר אֶהְיֶה), “Serei o que Serei”, abreviado simplesmente como Ehyeh (אֶהְיֶה), “EXISTENTE” (Ex. 3:14).
    Este “triplo” Nome de D-us dos exércitos abrange todos os estados possíveis da existência, de modo que só de Adonay é dito, Melô Kol haAretz kevodo: “toda a terra está cheia da sua glória”

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