Parashá Vayera (Genesis 18:1 – 22:24)

Home Fóruns Fórum Yeshua Chai Soando o Shofar Parashá Vayera (Genesis 18:1 – 22:24)

Este tópico contém 0 resposta, possui 1 voz e foi atualizado pela última vez por  sofer 4 anos, 5 meses atrás.

Visualizando 1 post (de 1 do total)
  • Autor
    Posts
  • #26765

    sofer
    Participante

    Parashá Vayera (Genesis 18:1 – 22:24)

    As Escrituras sagradas Hebraicas (Tanach) são preenchidas com vários tipos de jogos de palavras. Além de algum humor e trocadilhos, você vai descobrir aliteração, acrósticos, parábolas, símiles, metáforas, hipérboles, gematria, e outros dispositivos literários.
    Muitos exemplos aparecem na superfície de nível dos textos. Por exemplo, “Adam” (אָדָם) é um trocadilho com a palavra Adamá (אֲדָמָה, “terra”); Chavá (חַוָּה, “Eva”) é um trocadilho com a palavra Chai (חַי, “vida”); Kayin (קַיִן, “Caim”) é um trocadilho com a Kaná (קָנָה, “obter”), e até mesmo o nome “Jesus” (ou seja, Yeshua: יֵשׁוּעַ) desempenha um trocadilho para a palavra libertação ou salvação (ou seja, yeshuah: יְשׁוּעָה). Claro, muitos outros exemplos poderiam ser citados.

    De particular relevância para a porção de leitura publica da Torá desta semana (Vayera) é o nome Yitzchak (יִצְחָק, “Isaque”), um trocadilho com a palavra Tzachak (צָחַק, “rir”).
    Alguns estudiosos disseram que Tzachak (צָחַק) é “onomatopéia”, isto é, que imita o som da própria risada. Apropriadamente, a raiz da palavra aparece várias vezes na história de Yitzchak (יִצְחָק, “Isaque”), embora muitas vezes com conotações diferentes.

    A nossa leitura da Torá desta semana (Vayera) inclui o relato de como Avraham Avinu (Abraão) foi testado para oferecer seu “filho unigênito” (בֵּן יָחִיד) como um sacrifício no Monte Moriá – o lugar do futuro Templo em Jerusalém.
    Esta famosa história é referida no judaísmo como a Akeidá (עֲקֵדָה), ou Akeidat Yitzchak (עֲקֵידָת יִצְחָק) – o “sacrifício de Isaque” (Gn 22:1-18).

    No último momento, o ‘Anjo do S-nhor’ (מַלְאַךְ יְהוָה) interrompeu Abraão e providenciou um carneiro como um substituto. Abraão, em seguida, batizou o local de Adonay Yiré (יהוה יִרְאֶה), “o S-nhor verá” (do verbo Ra’ah (רָאָה), que significa “ver”), mas verá o que? Verá o sacrifício que D-us, Ele mesmo, providenciará para si, no monte Moriá, Jerusalém.
    De nossa Torá, lemos: “Quando Abrão tinha 99 anos de idade quando Hashem apareceu-lhe e disse:” “Eu sou El Shaday (אֲנִי אֵל שַׁדַּי); anda em minha presença e sê integro” (Gn 17:1).
    No Talmud os nossos Sábios (חז”ל) ensinavam que, se uma pessoa tenta praticar uma Mitzvá, mas devido a circunstâncias alheias à sua vontade não pode cumpri-la, D-us respeita-lo como se tivesse cumprido (Talmud; Brachot 6.A).
    O que importa aqui nestas circunstancias é a intenção, o desejo do coração, e a tentativa sincera a caminhar na fé diante de D-us (Kavaná). Isso é muito diferente do que alguém que simplesmente diz que deseja a cumprir, mas é desprovido de qualquer ação: “Porque, assim como o corpo sem o sopro de vida está morto (inútil), assim também a fé sem obras é morta (inútil)” (Tiago 2:26).
    Por isso se diz que D-us se lembra das “cinzas de Isaque”, mesmo que o Anjo conteve a mão de Abraão, Isaque literalmente foi sacrificado, pois a Kavaná (intenção) de Abraão em obedecer e o investimento no ato sacrificial, é tomado como se fosse realizado. Note que o inverso também é verdadeiro.

    Saiba que a primeira vez que a palavra “Torá” (תּוֹרָה) ocorre na Bíblia refere-se à fé de Abraão (Gn 26:5), e pela segunda vez se refere às instruções da Pessach (Páscoa): “Haverá uma só Torá (תּוֹרָה) para o nativo (judeu) de e para o estrangeiro (gentio)” (Exodo 12:49).

    Há um entendimento aqui, pois Avraham (Abraão) viveu antes da época do Êxodo do Egito (יציאת מצרים), é claro, e, portanto, ele observou a Pessach (Páscoa), oferecendo o carneiro no lugar de seu filho (Gênesis 26:5).
    Avraham (Abraão) revelou que o significado interior da Torá é que o “justo viverá pela sua Emuná (fé, fidelidade)” (Habacuque 2:4).

    Durante o Êxodo do Egito (יציאת מצרים), Moisés declarou que o sangue do cordeiro pascal seria um “sinal” (אות) de justiça imputada garantido pela Emuná (fé, fidelidade) – sem “fermento”, ou obras humanas, acrescentou.
    Este é o princípio bíblico de; “a vida por vida”, que está na base do sistema de sacrifício do Tabernáculo (ou Templo) revelado também no Sinai.
    Assim também a primeira ocorrência da palavra ‘Amor’ nas Escrituras (ie, Ahavá: אַהֲבָה) refere-se ao amor de Abraão por seu “único” filho que estava para ser sacrificado em holocausto no monte Moriá (o mesmo lugar da crucificação de Yeshua, Jerusalém). Alguns estudiosos têm notado que a palavra Ahavá (אַהֲבָה) vem de uma raiz de duas letras (הב) com Alef (א) como um modificador. A raiz significa “dar” e o Alef (א) indica agência: “eu” dou (ou seja, o Pai dá).

    Tiago, o Justo (יעקב צדיק), irmão de Yeshua, disse; Não foi Avraham Avinu, justificado por obras, quando ofereceu seu filho Isaque sobre o altar? (Tiago 2:21), mas certamente isso refere-se à obra da fé e não pelo legalismo – uma vez que o sacrifício humano é explicitamente proibido (veja Gênesis 9:5; Lev 18:21; 20:2; Dt 00:31; Jer 32:35). Quando Tiago, o Justo (יעקב צדיק), portanto, afirmou que Abraão foi “justificado por suas obras” (ἐξ ἔργων ἐδικαιώθη), ele deu a entender que nossas ações, em última análise revelam a vida íntima de Emuná (fé, fidelidade). Porque está escrito; porque Abraão me obedeceu e guardou meus preceitos, meus mandamentos (מצותי), meus decretos (חקותי) e minha Torá (תורתי). (Gênesis 26:5)

    Por outro lado, uma declaração contrária do Emissário Paulo (השליח פאולו) que diz que; ‘Abraão não foi justificado pelas obras’ (Romanos 4:1-3), talvez uma aparente contradição, pois aqui ele refere-se a confiança inabalável de Abraão na promessa de D-us de que seus descendentes seriam tão numerosos como as estrelas do céu (Gn 15:1-6). Talvez não haja uma contradição real, então, porque uma vez que os dois estavam se referindo a dois episódios diferentes em sua discussão sobre a justificação de Abraão… Ou a carta de Tiago, o Justo (יעקב צדיק) fosse uma resposta ao ‘Emissário dos gentios’ Paulo.

    Em Gênesis capítulo 17, D-us confirmou sua aliança com Avraham Avinu (Abraão), dando-lhe o mandamento da circuncisão, ou seja, Brit Milá (בְּרִית מִילָּה), um termo que significa literalmente “aliança da palavra” (מִילָּה significa “palavra” em hebraico). É importante notar que é a ‘tradição oral’ judaica que mostra a onde fazer o corte no corpo masculino e que o rito da circuncisão nunca foi destinado para efetuar a promessa de D-us, mas apenas para atesta-la.
    A circuncisão (Brit Milá) serve como um sinal (אוֹת) de geração em geração e um sinal de Emuná (fé, fidelidade) na palavra de D-us, isto é, nas promessas e nas alianças de D-us. Vemos a conexão ao notar que a palavra “aliança” (ou seja, Brit: בְּרִית) aparece exatamente 13 vezes durante esse episódio (ie, Gênesis 17:1-22), que é o mesmo valor numérico como da palavra hebraica para ‘amor’ (ou seja, Ahavá: אַהֲבָה). Além disso, note que a última ocorrência da palavra “aliança” (Brit: בְּרִית) nesta seção refere a escolha exclusiva de D-us por Isaque, o único verdadeiro herdeiro de Abraão, o filho prometido, que foi escolhido para ser a “semente sacrificada” (Gn 17:21).
    Considere o quão importante foi o carneiro que foi substituído por Isaque… Se Isaque tivesse sido de fato morto definitivamente no altar, a nação de Israel nunca teria vindo à existência e, portanto, o próprio Messias não teria vindo à existência. Portanto a disposição do carneiro oferecido era para substituir para que tudo fosse entregue a Israel. Os sábios dizem que as “cinzas” de Isaque estão reunidas diante do Trono da Glória (כסא הכבוד), como se sua vontade de oferecer a si mesmo fosse lembrada para sempre. No entanto, é graças ao carneiro (ou seja, o substituto de Isaque), que tanto Isaque e o seu mérito como uma oferenda sobreviveram ao grande teste.

    Está escrito que; “um coração alegre (לֵב שָׂמֵחַ) é um eficiente remédio” (Provérbios 17:22). Onde diz: “Servi a Hashem com (בשׁמחה) alegria” (Salmo 100:2), os nossos sábios ensinavam que a frase; “com alegria” (בְּשִׂמְחָה) contém as mesmas letras que a palavra “pensamento” (מַחֲשָׁבָה), o que sugere que a felicidade é encontrada nos pensamentos bons. Como nos foi advertido: “Pense sobre estas coisas” (Fil 4:8).

    Nós também encontramos a felicidade, quando nós escolhemos sermos gratos. Isso é chamado de Hakarat Tová (הַכָּרַת טוֹבָה), uma frase que significa reconhecer ou estar ciente da bondade.

    Cultivar um sentimento de admiração… Olhemos para o céu, pois muitas vezes, é o “pão de cada dia dos olhos”.
    Albert Einstein disse uma vez: “Há duas maneiras de viver a sua vida; uma é como se nada fosse um milagre, e a outra é como se tudo fosse”.
    A felicidade é uma escolha, uma decisão para ver o bom e o bem, para abrir os olhos para pensar, e afastar-se, visões e pensamentos temerosos e negativos.

    A Torá de Adonay alegra a alma (Salmo 19:8); deixe o coração (ישׁמח לב) daqueles que buscam a Adonay ser feliz (Salmo 105:3).

    Se nós formos absorvidos com pensamentos ou mensagens negativas, no entanto, nossa receptividade espiritual será prejudicada ou danificada.
    O nome de D-us YHVH (יהוה) indica; “D-us está presente” e muito perto, tão perto quanto a nossa própria respiração. D-us está próximo, mesmo quando nos sentimos deprimidos, perdidos e longes.

    Podemos nos sintonizar para ouvir kol Demamá Daká (קוֹל דְּמָמָה דַקָּה), “a voz mansa e delicada” (1º Reis 19:12), como uma respiração, de D-us, quando estamos aquietados em silencio, e não quando estamos rodeados pelas multidões e seus gritos e seus murmúrios de pensamentos dentro de nós… Ouviremos D-us no silencio dos nossos pensamentos.
    “A salvação é de Adonay” (יְשׁוּעָתָה לַיהוָה), o que significa que é obra de D-us realizada em nosso favor que redime, cura, e embeleza.

Visualizando 1 post (de 1 do total)

Você deve fazer login para responder a este tópico.