Quando o seu calcanhar (עֵקֶב) estiver pronto

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    sofer
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    Parashá Êkev (Deuteronômio 7:12-11:25)
    – quando o seu calcanhar (עֵקֶב) estiver pronto para dar um passo, você vai ouvir

    Em nossa leitura da Torá desta semana (ou seja, Parashat Ekev), Moisés continua seu discurso de despedida a Israel, dizendo: “E porque (עֵקֶב), ouvindo estes juízos (המשׂפטים), e os guardardes e praticares, Adonay teu D-us guardará a aliança e a graça (הברית ואת החסד) que com juramento prometeu a teus pais;” (Deuteronômio 7:12).

    Observe que; a palavra hebraica Êkev (עֵקֶב) muitas vezes traduzida como “Porque”, significa literalmente “calcanhar” (עקב), e que nos remete a lembrar de Jacó (יעקב) – “aquele que agarra o calcanhar” que lutou com a dor de seu passado para aprender a usar o nome Israel (יִשְׂרָאֵל), “Aquele que vence” (Gênesis 32:28)…

    … O Sassover Rebe (1745–1807 Ucrânia) costumava ensinar a abertura deste verso da nossa porção da Torá: “E porque (עֵקֶב), ouvindo…” (וְהָיָה עֵקֶב תִּשְׁמְעוּן), como; “E acontecerá que, quando o seu calcanhar (עֵקֶב) estiver pronto para dar um passo, você vai ouvir”.

    Este é o passo da fé (אמונה). Quando começamos na Torá da Verdade, vamos nos conhecer a nós mesmos como cidadãos do Reino e filhos do Grande ‘Rei do rei dos reis’ (Melech Malchei haMelachim).

    Quanto ao versículo (פסוק) relacionado na Torá, “Porque Abraão ouviu a minha voz” (עֵקֶב אֲשֶׁר שָׁמַע אַבְרָהָם בְּקלִי), os nossos sábios ensinavam: “Abraão ouviu a palavra ‘até o calcanhar” (Genesis 26:5). Tal como Avraham Avinu (nosso pai Abraão), vamos ouvir a voz de D-us enquanto nós andamos na Torá em fidelidade e fé (נאמנות ואמונה)…

    “E abençoarás Adonay, teu D-us – (וברכת את יהוה אלהיך)…” (Deuteronômio 8:10). Sempre que retiramos benefícios ou gozamos de algo devemos abençoar (ou seja, dar graças em tudo) a D-us por Sua bondade e Graça. Na verdade, o termo hebraico para ‘gratidão’ é Hakarat Tová (הַכָּרַת טוֹבָה), uma frase que significa “Reconhecendo o bem”.

    O coração (pensamentos, sentimentos e emoções) olha através do olho, e, portanto, como vemos é em última instância uma decisão “espiritual”: “Se o teu olho é “único” (ou seja, ἁπλοῦς, sincero, focado, literalmente; generoso), “todo o seu corpo será cheio de luz” (Mat 6:22). Quando vemos, com a razão, despertamos para à presença de D-us nas pequenas coisas da vida, aqueles pequenos milagres e glórias diárias que constantemente nos rodeiam. O Olho Bom (Ayin Tová) vê centenas de motivos para bendizer (תברך) a D-us pelo dom sagrado da vida e as centelhas Divinas (הניצוצות אלוהית) em todas as coisas, como vemos é de suma importância. Abramos os olhos … Adonay é “entronizado entre as bênçãos feitas por Seu povo” (Salmo 22:3).

    Em nossa Torá desta semana sobre a idolatria e as praticas pagãs, também lemos: “Não levem coisa alguma que seja abominável (תּוֹעֵבָה) para dentro de sua casa, se não também vocês serão separados para a destruição. Considerem tudo isso proibido e detestem-no totalmente, pois estas coisas estão separadas para a destruição.” (Deuteronômio 7:26)

    Os sábios da Mishná ensinavam que ceder ao ódio é equivalente a adoração de ídolos e nunca deve ser levado para a casa, na prática não deixar que a raiva tome lugar na nossa alma. Na verdade, viam que o ódio está relacionado com a Avodá Zará (Idolatria e Práticas pagãs) – porque exalta o ego e é uma autoafirmação que Hashem (D-us) não pode (ou não) irá ajudar-nos em nosso momento de necessidade ou testes (Nisaion).

    As Escrituras são claras, no entanto, que “não há nenhum teste dado a nós que não lidemos com a ajuda de D-us”, e somos convidados a entrar corajosamente diante a Presença Divina (רוח הקודש) para encontrar apenas essa ajuda em nosso tempo de necessidade. Embora nos foi ensinado pelo próprio Mashiach (Messias) a pedir para ‘não entramos em testes difíceis’ (Ve’al tevieinu lidei Nisaion) Mateus 6:13.

    Na visão dos nossos Sábios (וייז), acreditar que não podemos superar o nosso medo ou raiva é, portanto, uma forma de idolatria ou paganismo. Como está escrito: Lô iheié bechá el zar (לא יִהְיֶה בְךָ אֵל זָר) – “não haverá deus estranho dentro de você” (Salmo 81:9), o que significa que devemos negar expressamente a demanda do nosso “ego inflamado” e a sua vontade de ser feita.

    Estar cheio de um senso de ‘auto importância’ é estar escravizado à vaidade e arrogância e ter e adorar um deus estranho (אֵל זָר).

    E Hashem (D-us) e a arrogância humana não podem coexistir “dentro de você.” (בתוכך), desde que no âmago da alma da pessoa arrogante nega o legítimo lugar de D-us como Rei. Como está escrito nas Escrituras: “O ódio humano (קֶצֶף אָדָם) não funciona com a justiça de D-us” (Tiago 1:20)… “Bendito sejas Adonay, que nos livra da autodestruição” (ברוך יהוה מספק אותנו מהרס עצמי).

    “Aquele que obedece a sua (má) inclinação é como um idólatra. Pois está escrito; “Não haverá deuses estranhos dentro de você” (Salmo 81:10) que significa, não faça ‘um estranho’ dentro de você ser seu guia!” (Talmud Yerushalami: Nedarim 9;1) “O estudo da Torá, a oração e a meditação irá ajudá-lo em sua luta contra o Yetzer HaRá (má inclinação).” (Talmud: Berachot 5a)

    O Yetzer HaRá (que pode ser compreendido também como; obras da carne, ou a ‘alma animalesca’) representa o impulso interior ou tendência dentro do coração humano a gravitar em direção à satisfação egoísta e egocêntrica. A palavra Yetzer aparece pela primeira vez em Gênesis 6:5, onde a maldade humana é descrita como; a “inclinação (יצר) dos pensamentos do seu coração era sempre e somente para a maldade”.
    O Yetzer HaTov, por outro lado, representa o impulso interior para fazer o bem e o que é bom.

    A palavra Yetzer (יצר) também é usada nas Escrituras para se referir a algo formado ou em forma, como a cerâmica sendo formada pela mão de um artesão. Assim como um Artesão faz uma forma em sua mente antes de formar necessariamente um objeto, tal como um pote… deste mesmo modo que o que se pretende dentro da nossa mente irá moldar ou formar o nosso caráter e disposição e realidades ao longo da nossa vida, especialmente no que diz respeito à nossa relação com D-us…

    … Em relação a isto saiba que a fé persevera no caminho da vida… “Vocês que se apegaram (Devakim) a Adonay teu D-us estão todos vivos hoje” (Deuteronômio 4:4).

    A palavra hebraica Devakut (דְּבָקוּת) significa “apegar-se” e refere-se à união com D-us. Esta palavra vem da raiz da palavra Davak (דָּבַק), significando “agarrar” ou “colado” (a palavra moderna hebraica para “cola” é Devek (דֶבֶק), que também vem da mesma raiz, e é a mesma palavra usada em gênesis; “e o homem ‘colará’ na sua mulher”).

    Devakut (דְּבָקוּת), então, implica estar intimamente ligado com D-us em um relacionamento de confiança (ביטחון)… Os nossos sábios ensinavam que podemos unir-se a D-us apenas um dia de cada vez… Mas por quê?
    Porque o futuro está condicionado ao dia de hoje e seus desafios. Como uma foi ensinado: “Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal” (Mateus 6:34).

    Um dia de cada vez, e sempre um dia de cada vez. Por isto foi ensinado a nós a pedir; “dá-nos o pão de cada dia (לֶחֶם חֻקֵּנוּ)”, isto para que possamos perseverar neste dia; (Deut. 8:3). “Porque ele é o nosso D-us, e nós somos o Seu povo” (Salmo 95:7).

    Entendamos; Se este ‘sistema de mundo caído’ não pode matar-nos, ele vai tentar fazer-nos perder a sanidade… Ele vai mentir para nós sobre quem realmente somos… vai tentar assediar-nos e ferir a nossa alma. Ele vai fazer problemas ou situações que são pequenas e insignificantes parecerem grandes e intransponíveis e vice versa. Ele irá lembrar-nos dos nossos erros diários para que sintamos envergonhados e sujos. Ele assobiará na nossa mente que somos indignos de sermos amados… Ele vai tentar-nos a procurar alívio nas cisternas do vazio e futilidade de seu próprio sistema.

    Acima de tudo, este sistema de mundo vai tentar lançar um feitiço em nós para que esqueçamos o que realmente somos, ‘um filho de D-us, O Todo-Poderoso’, Somos Betzelem Elohim (A imagem de D-us)…

    Nossa parte é “conhecê-Lo em todos os nossos caminhos” (בְּכָל-דְּרָכֶיךָ דָעֵהוּ) confiando em sua proximidade (Prov. 3:5-6). Mesmo se nós sentimos que a nossa oração não está sendo atendida, confiemos, apesar de nossa tribulação (tsuris) temporária, acreditando que D-us vê a nossa necessidade e sabe o que é melhor para nós. D-us está próximo “em toda a nossa palavra a Ele” (בְּכָּל קָרְאֵנוּ אֵלָיו), e, portanto, muitas vezes somos levados a um lugar de necessidade. Bendizei o seu Nome. Baruch Shemô!

    Como um jogo de combinação, cada ato de beleza revela uma outra face do infinito. Cada geração completa a sua parte do quebra-cabeça. Até que toda a paisagem esteja definida e preparada. Até que tudo o que resta seja apenas o abrir das cortinas, as trevas negras se dissiparem, o sol a brilhar e mostrar as nossas mãos machucadas e sangrando pelo que plantaram, e deixá-los florescerem e darem frutos.

    Isso é onde estamos agora. Sabemos que o mundo está em processo de se tornar outro. Logo será um mundo aonde cada coisa chegará. (Tanya; cap- 36–37)

    Shabat Shalom

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